sábado, 11 de fevereiro de 2017

Só faltava essa: Temer quer nomear o corrupto Beltrame para a Segurança


Só faltava essa: Temer quer nomear o corrupto Beltrame para a Segurança   



Beltrame comandou licitações fajutas no governo do RJ
Gustavo Uribe e Daniel Carvalho - Folha
Com o agravamento dos conflitos e protestos no país, o presidente Michel Temer considera nomear para a Secretaria Nacional de Segurança Pública o ex-secretário estadual do Rio de Janeiro José Beltrame, do PMDB. A avaliação é que, diante de ondas de violência no Espírito Santo e Rio, o peemedebista precisa fazer um aceno público rápido e nomear para a secretaria nacional um nome técnico e de prestígio. O Ministério da Justiça está sob o comando de um interino desde a saída de Alexandre de Moraes, indicado para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).
Assim, o presidente contemplaria a mudança no nome do Ministério da Justiça, que passou a se chamar também da Segurança Pública, ficando livre para escolher um político ou jurista para o controle da pasta.
APÓS APROVAÇÃO – O peemedebista pretende anunciar o novo ministro apenas após a aprovação de Moraes para o STF pelo Senado Federal, o que deve ocorrer em março. Já a nomeação na secretaria de Segurança deve sair logo, na tentativa de dar uma resposta à paralisação de policiais.
Beltrame chegou a ser cotado para o comando do Ministério da Justiça, mas o presidente busca um perfil com mais peso jurídico e que tenha mais apoio do PMDB, que tem se queixado de ocupar espaço subdimensionado na Esplanada dos Ministérios.
O ex-secretario do Rio de Janeiro é defendido para a secretaria nacional pela cúpula do governo federal e tem o apoio da bancada fluminense, a de maior peso no PMDB da Câmara dos Deputados.
EM SÃO PAULO – Nesta sexta-feira (10), o presidente foi a São Paulo discutir a sucessão no Ministério da Justiça com amigos e aliados, incluindo o criminalista Antonio Mariz. Crítico da Operação Lava Jato, ele chegou a ser cotado para o cargo de ministro, mas o peemedebista recuou com receio de uma repercussão negativa junto à Polícia Federal.
Na tentativa de agradar o PMDB, Temer avalia o nome do deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que tem o apoio do partido na Câmara. A indicação, contudo, irritou a bancada do partido no Senado, que reivindica participação na escolha
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A possível escolha de Beltrame faz sentido, porque Temer só coloca no seu governo quem é envolvido em corrupção e/ou se posiciona contra a Lava Jato. Beltrame é apenas mais um, porque se meteu em graves crimes de corrupção quando secretário de Segurança dos governos Cabral e Pezão, especialmente na manutenção superfaturada de viaturas. Por causa disso, é também inimigo da Lava Jato, por saber que pode ser apanhado a qualquer momento. (C.N.)

Ao manter Cunha na prisão, Moro parte para o ataque e dá um nó no Supremo


Ao manter Cunha na prisão, Moro parte para o ataque e dá um nó no Supremo


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Moro conseguiu emparedar Gilmar Mendes sem citá-lo
Diego EscosteguyÉpoca
O juiz Sergio Moro acaba de emparedar, silenciosamente, aqueles em Brasília que fazem de tudo para soltar Eduardo Cunha. Moro não negou somente o habeas corpus impetrado pelos advogados de Cunha. Juridicamente, essa decisão era esperada. O juiz foi além. Aproveitou a decisão, a mais relevante que tomou nos últimos meses, para fazer a defesa mais enfática, desde o começo da Lava Jato, sobre a necessidade das prisões preventivas. E defendeu o uso das prisões preventivas invocando, especialmente, as decisões de Teori Zavascki que mantiveram Cunha na cadeia.
O nó estratégico de Moro atinge diretamente os ministros do Supremo, que deverão julgar na próxima semana se soltam ou não Cunha. O nó: para revogar a prisão de Cunha, os ministros agora terão de, além de mudar o entendimento do Tribunal para o assunto, derrubar as decisões de Teori exatamente contra o peemedebista. Nesse cenário, votarão, perante a opinião pública, contra um ministro cuja morte comoveu o país e em favor de um político odiado por boa parte dela.
ARGUMENTOS DE MORO – No caso de Cunha: nada mudou, e os fatos que embasaram a preventiva (garantir a ordem pública, sobretudo) não só permanecem como foram reforçados pela atuação belicosa do ex-deputado no processo. Moro relembra que a segunda instância manteve a prisão de Cunha, no que foi seguida pelo ministro Félix Fischer, do STJ, e, no STF, por Teori – duas vezes. A frase que enquadrou o STF: “O eminente ministro Teori Zavascki teve não uma, mas duas oportunidades para cassar a prisão preventiva decretada por este juízo, e não o fez”. Moro disse ainda que “não trairá o legado” de Teori. Donde, quem revogar a prisão fará exatamente isto: trair o legado de Teori.
Nos demais casos rumorosos da Lava Jato, como o de Paulo Roberto Costa e o de Marcelo Odebrecht, foram as preventivas que encerraram as “carreiras criminais” dos investigados – sempre sob a égide de garantir a ordem pública, entre outros fundamentos. Ou seja, sem preventivas, não haveria Lava Jato.
SUPORTE JURÍDICO – O trecho mais importante do despacho: “Em todos esses casos, o desmantelamento da atividade criminal e a interrupção do ciclo delitivo, protegendo outros indIvÍduos, a sociedade brasileira e os cofres públicos de novos crimes, só foi possível com a prisão preventiva e que teve suporte de todas as instâncias do Poder Judiciário brasileiro. Assim não fosse, é provável que ainda estaria Paulo Roberto Costa recebendo propina e na posse de seus ativos no exterior, quiçá deslocados para outro país, Alberto Youssef ainda estaria lavando dinheiro de propina em contratos públicos e a entregando a agentes políticos, e o Clube das Empreiteiras e o Departamento da Propina ainda estariam em plena atividade” .
Os números que interessam: há apenas sete presos provisórios sem julgamento na Lava Jato e foram 79 prisões preventivas nos três anos de Operação. Um número baixo, em comparação com o trabalho cotidiano das varas criminais. E infinitamente distante das cerca de 800 prisões da Operação Mãos Limpas, na Itália.
ACIMA DA LEI – O que está por trás das críticas às prisões preventivas, segundo Moro, é o “lamentável entendimento de que há pessoas acima da lei”.
“A questão real – e é necessário ser franco sobre isso – não é a quantidade, mas a qualidade das prisões, mas propriamente a qualidade dos presos provisórios. O problema não são as setenta e nove prisões ou os atualmente sete presos sem julgamento, mas sim que se tratam de presos ilustres, por exemplo, um dirigente de empreiteira, um ex-ministro da Fazenda, um ex-governador de estado, e, no presente caso, um ex-presidente da Câmara dos Deputados”, diz o juiz, e leva o raciocínio à etapa seguinte. “As críticas às prisões preventivas refletem, no fundo, o lamentável entendimento de que há pessoas acima da lei e que ainda vivemos em uma sociedade de castas, distante de nós a igualdade republicana”, disse.
Na reação ao que percebeu serem ameaças de Cunha, Moro foi explícito e claro: além de manter a prisão do ex-deputado, comprometeu-se a redobrar o empenho. “Revogar a preventiva de Eduardo Cosentino da Cunha poderia ser interpretada erroneamente como representando a capitulação deste Juízo a alguma espécie de pressão política a qual teria sofrido em decorrência do referido episódio”.
ESTRATÉGIA ERRADA – Quem tentou falar grosso com Moro até agora, como Marcelo Odebrecht e Lula, deu-se mal. Cunha, ao que tudo indica, apostou na estratégia errada.
O jeito Moro conseguiu dar um xeque até no presidente Michel Temer, porque o juiz relembrou o caso das perguntas que Cunha queria fazer a Temer durante o processo –  e que haviam sido vetadas por Moro. Eram, e qualquer um via isso, um recado ameaçador de Cunha ao presidente.
O próprio juiz observou agora que “tais quesitos (perguntas), absolutamente estranhos ao objeto da ação penal, tinham por motivo óbvio constranger o Exmo. Sr. Presidente da República e provavelmente buscavam com isso provocar alguma espécie intervenção indevida da parte dele em favor do preso”.
O subtexto é claro: Moro usou as armas de Cunha contra Temer para alertar o presidente de que Curitiba está atenta à possível articulação, em Brasília, para livrar o ex-deputado. O juiz escreveu textualmente que Cunha tentou intimidar o presidente da República. Citar esse episódio pode parecer uma defesa do presidente. É, na verdade, uma defesa da Lava Jato.
O QUE ESTÁ EM JOGO – Moro sentenciará Cunha até o fim de março. Caso o ex-deputado não seja solto pelo STF e acabe condenado em Curitiba, não restará a ele outra opção. É delação – ou cadeia por muitos, muitos anos, talvez para a família dele também.
Está em jogo a estabilidade do governo Temer. Quanto mais tempo Cunha ficar preso, maior a chance de insistir numa delação premiada. Uma delação dele, combinada à do operador Lúcio Funaro, parceiro de Cunha, teria potencial para fulminar o primeiro escalão do governo.
A estabilidade do Congresso também é atingida, porque a delação de Cunha, a depender da extensão, atingiria parlamentares influentes.
Por fim, está em jogo a estabilidade da Lava Jato. Se o Supremo ignorar o nó de Moro e reverter o entendimento sobre as prisões preventivas, estejam os ministros certos ou errados, a operação será manietada.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Sensacional o artigo de Diego Escosteguy, uma análise política profunda e perfeita. Mostra que o juiz Moro é um esgrimista de primeira e conseguiu emparedar Gilmar Mendes, que sonha em acabar com as prisões preventivas da Lava Jato. (C.N.)

Defesa da nomeação de Moreira Franco está equivocada e foi escrita por Temer


Defesa da nomeação de Moreira Franco está equivocada e foi escrita por Temer


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                                                     Charge do Aroeira, reproduzida do portal O Dia/Rio
Carlos Newton
A excelente jornalista Letícia Casado, que desfila de destaque na Folha, informa que a Presidência da República já apresentou ao Supremo a defesa da nomeação de Moreira Franco como ministro da Secretaria-Geral. A posição do Planalto foi enviada em resposta ao pedido de esclarecimento feito pelo ministro-relator Celso de Mello. No documento, subscrito pela AGU (Advocacia-Geral da União) e pela Subchefia de Assuntos Jurídicos (Casa Civil), alega-se que “não houve qualquer má intenção do Presidente da República em criar obstruções ou embaraços à Operação Lava Jato”.
Como se sabe, Moreira Franco foi citado pela Odebrecht na Operação Lava Jato e passou a ter foro privilegiado em 2 fevereiro de 2017, três dias depois de a delação dos dirigentes e executivos da empreiteira ter sido homologada pela presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia.
CINCO PONTOS – Ao defender a nomeação do novo ministro, o Planalto destacou cinco pontos, segundo a repórter Letícia Casado:
1) “Os vazamentos ilegais da Operação Lava Jato não se prestam como provas nem evidências para decisões judiciais ou administrativas“;
2) “A situação do ex-presidente Lula é distinta da situação do ministro Moreira Franco“. (Em 2016, Lula foi nomeado ministro da Casa Civil pela então presidente Dilma Rousseff depois de ter sido alvo de condução coercitiva).
3) “As provas usadas contra o ex-presidente Lula, à época, tinham a presunção de validade, visto que autorizadas por ordem judicial“, diz a AGU no documento enviado ao STF.
4) “O ministro Moreira Franco já era alta autoridade governamental e responsável pelo principal programa de investimentos do Brasil“, acrescenta o Planalto.
5) “O ministro Moreira Franco não tem condenação judicial criminal transitada em julgado, nem é sequer réu em processo penal, que impeça a sua nomeação para cargos públicos.”
VÁRIAS AÇÕES – O Planalto está se defendendo em várias ações simultâneas. Na segunda-feira (dia 6) o partido Rede Sustentabilidade entrou com ação no STF, sustentando que o objetivo da nomeação de Moreira Franco foi tirá-lo da jurisprudência da Justiça de primeiro grau, em que os trâmites dos processos da Lava Jato e seus desdobramentos são mais rápidos e já existem dezenas de processos com sentença proferida.
Outra ação ajuizada pelo PSOL no Supremo afirma que a nomeação não tem a finalidade de aprimorar o corpo técnico da equipe do presidente Temer, mas apenas lhe dar prerrogativa de foro.
Celso de Mello pediu informações a Temer nas duas ações. A decisão do ministro pode sair a qualquer momento, mas no Supremo a perspectiva é que ele decida a questão apenas na segunda-feira (dia 13).
O MINISTRO ERRADO – Nessa importante e inquietante questão, o detalhe mais curioso e surpreendente é que, na peça de defesa da nomeação do ministro, o governo federal chamou Moreira Franco de “Moreira Alves”.
“Ademais, cuide-se que o ministro Moreira Alves não tem qualquer condenação judicial penal transitada em julgado. Também não é alvo de qualquer ação proposta pelo Ministério Público no curso da denominada Operação Lava Jato. Nesse sentido, Sua Excelência está protegido pelo sagrado manto da presunção constitucional de inocência. E, segundo a Constituição, para ser escolhido e nomeado ministro de Estado há apenas 2 (duas) condições: a) ser brasileiro maior de 21 (vinte e um) anos; e b) estar no exercício dos direitos políticos. O ministro Moreira Alves preenche esses 2 (dois) requisitos constitucionais” – diz a atrapalhada peça de defesa.
TEMER É O AUTOR – Em questão judicial de tamanha importância, seria de se esperar que o próprio presidente participasse da defesa, na condição de professor de Direito Constitucional, embora trate-se de uma peça jurídica assinada pela Advocacia-Geral da União e pela Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil.
A surpreendente e inacreditável troca do nome de Moreira Franco por Moreira Alves, ex-ministro do Supremo, com toda certeza significa que a defesa foi escrita pelo próprio Michel Temer, pois a ministra Grace Mendonça (AGU) e o assessor Gustavo do Vale Rocha (Casa Civil) nem sabem quem é o grande jurista José Carlos Moreira Alves, que deve estar dando boas gargalhadas. Conforme se constata, Grace e Gustavo são tão inexperientes que nem corrigiram a defesa que eles próprios assinaram. Os dois simbolizam a incompetência generalizada que assola a administração pública.
LOUCURA GERAL – Além da insanidade que reina na AGU, na Casa Civil e na Presidência, constata-se que a Justiça Federal também enlouqueceu. Conforme o jurista Jorge Béja assinalou aqui na “Tribuna da Internet”, jamais poderia estar acontecendo a guerra de liminares entre juízes federais de Brasília, do Rio e do Amapá.
Na Ciência do Direito, existe o princípio da “prevenção”, que não está sendo obedecido. Trata-se de uma regra primária, qualquer estudante de Direito é obrigado a conhecer. Quem tem de cuidar da questão é o primeiro juiz a intervir, e todas as ações subsequentes devem ser enviadas a ele – no caso, o juiz federal de Brasília. Mas no Brasil hoje reina a esculhambação judicial e institucional. E quem vai decidir a questão é o ministro Celso de Mello, nesta segunda-feira. O resto é tudo perfumaria.

Veja confirma a Tribuna da Internet e denuncia o plano contra a Lava Jato

Veja confirma a Tribuna da Internet e denuncia o plano contra a Lava Jato

Deu na Veja
Talvez pela proximidade do Carnaval, a piada recorrente em Brasília é que o governo de Michel Temer rasgou a fantasia. O chiste decorre da leitura mais óbvia dos últimos acontecimentos: tudo conspira, dentro e fora do governo, para sabotar ou pelo menos restringir o alcance da Lava Jato. Com o aval do Planalto, acusados de corrupção ocuparam postos-chave no Congresso – como Edison Lobão, presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado -, assumindo o controle sobre a tramitação de qualquer projeto. Também uniram forças com o governo para dar apoio à indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal, vaga na qual terá papel de protagonista no julgamento da Lava Jato.
SILÊNCIO DAS RUAS – Os sinais da cruzada pela impunidade estão no governo, no Congresso e no Supremo e até na Polícia Federal. A explicação é uma só: o silêncio das ruas, que faz com que movimentos de cerco à operação sintam-se mais à vontade. Tanto que o novo capítulo do abafa reúne próceres dos três poderes.
O vale-tudo contra a operação, agora à luz do dia, conta ainda com ações sem estardalhaço, como o desmonte da força-tarefa da PF, com a remoção de personagens centrais, como o delegado Márcio Anselmo, que desvendou a relação do doleiro Alberto Youssef com a Petrobras, marco zero da Lava Jato, e irá para a corregedoria da PF no Espírito Santo.
MORO CONTRA-ATACA – Após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticar “as alongadas prisões que se determinam em Curitiba”, o juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na capital paranaense, defendeu nesta sexta-feira o uso das prisões sem tempo para terminar na investigação. “Se a firmeza que a dimensão dos crimes descobertos reclama não vier do Judiciário, que tem o dever de zelar pelo respeito às leis, não virá de nenhum outro lugar”, afirma Moro.
Durante o julgamento de um recurso do ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu no STF, negado pelo relator da Lava Jato na Corte, ministro Edson Fachin, na última terça-feira, Gilmar Mendes disse que “temos um encontro marcado com as alongadas prisões que se determinam em Curitiba. Temos que nos posicionar sobre esse tema, que conflita com a jurisprudência que construímos ao longo desses anos”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como se sabe, “elogio em boca própria é vitupério”, diz o velho ditado, mas às vezes é preciso colocar as coisas em seu devido lugar. Despretensiosamente, a Tribuna da Internet passou a ser muito lida nas redações da grande mídia, tornando-se referência e servindo de pauta para muitas matérias. Foi o que ocorreu na sexta-feira na Folha, com uma importante reportagem baseada em nossa denúncia sobre o esquema para inviabilizar a Lava Jato, montado pelo Planalto com apoio da quase totalidade dos partidos. Agora é a Veja que repercute nossa denúncia e a matéria até se inicia sob inspiração do título de um artigo postado aqui na última quinta-feira (“Às vésperas do Carnaval, Temer rasga a fantasia e comanda o bloco da corrupção”). Dizem os colegas da Veja que “a piada recorrente em Brasília é que o governo de Michel Temer rasgou a fantasia”. Mesmo que não citem a Tribuna da Internet como fonte das notícias, é muito bom e importante esse congraçamento entre jornalistas que trabalham em defesa dos interesses nacionais. As informações aqui da TI estão disponíveis a todos, podem ser usadas e reproduzidas à vontade, embora muitas vezes não haja citação do autor (como o futuro ministro do Supremo costuma fazer). O mais engraçado em tudo isso foi a criação de mais um espaço na internet que reproduz as matérias da TI na íntegra (existem muitos blogs que o fazem), mas a foto que colocaram para ilustrar as matérias é do Newton Carlos, nosso grande amigo e companheiro, com quem trabalhamos no Diário de Notícias, na Última Hora e no Pasquim. A troca da foto é uma espécie de Piada do Ano, em versão interna. (C.N.)

Odebrecht deu propina de R$ 50 milhões para eleger Dilma e subornou Eunício


Odebrecht deu propina de R$ 50 milhões para eleger Dilma e subornou Eunício  


Aguirre Talento IstoÉ
Até agora se sabia que o príncipe-herdeiro da maior empreiteira do Brasil, o empresário Marcelo Odebrecht, cuidava diretamente das principais negociações da Odebrecht com políticos em geral – em especial os mais altos hierarcas da era petista no poder. Um capítulo específico da delação premiada de Marcelo, ao qual IstoÉ teve acesso, mostra que a atuação dele tinha ainda mais capilaridade: o empreiteiro também negociava e autorizava repasses em nome da petroquímica Braskem, braço da Odebrecht em sociedade com a Petrobras. Em sua delação, Marcelo conta como participou pessoalmente da negociação de um pagamento de um caminhão de dinheiro à campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010: um total de R$ 50 milhões em propinas da Braskem em troca de benefícios fiscais para a petroquímica.
O depoimento de Marcelo Odebrecht impressiona pela fartura de detalhes. Segundo seu relato, o financiamento “por fora” da campanha de Dilma naquele ano foi arquitetada em parceria com o então ministro da Fazenda Guido Mantega.
PRIMEIRA ABORDAGEM – Inicialmente, Marcelo tinha acionado seu subordinado, o executivo Alexandrino de Alencar, dono de trânsito livre junto ao governo do ex-presidente Lula, para proceder a uma primeira abordagem. A relação de Alexandrino com o petismo era melíflua, como indicam centenas de trocas de emails em poder da Lava Jato.
Mas como a operação envolvia muito dinheiro e a verba era destinada à campanha da sucessora do cliente número um da empreiteira, amigo de seu pai Emílio Odebrecht, o próprio Marcelo assumiu a condução das tratativas com Mantega, conforme contou ele na delação.
MANTEGA EXIGIU – Nos encontros, o empreiteiro acertou com o ex-ministro as minúcias da concessão de incentivos fiscais à Braskem. Foi numa dessas ocasiões que Mantega foi taxativo: precisava de R$ 50 milhões para a campanha de Dilma.
Como os valores sairiam do caixa dois da Braskem no setor de operações estruturadas, nome pomposo para o departamento de propinas da Odebrecht, Marcelo teve que discutir o tema com a cúpula da petroquímica. O cálculo foi orientado por uma lógica pragmática: avaliou-se que o prejuízo seria maior caso o governo endurecesse as cobranças de impostos. Foi dado então o sinal verde para que os cerca de R$ 50 milhões fossem repassados à campanha de Dilma via caixa dois, em troca dos benefícios fiscais.
DILMA DELIRANTE – Ao fazer um périplo no último mês por países da Europa, como Espanha e Itália, a ex-presidente Dilma Rousseff, comportando-se como se ainda fosse a mandatária do País, bradou contra o que classificou de assalto à democracia no Brasil. O que cada vez mais as evidências e os testemunhos mostram, no entanto, é que assalto, se houve, foi outro.
Procurado por IstoÉ, o advogado de Mantega, José Roberto Batochio, afirmou que o ministro “nega peremptoriamente os fatos relatados” e sustentou que os delatores mentem para obter benefícios na Justiça.
NÃO FOI POR ACASO – A ingerência de Marcelo sobre os repasses de propina da Braskem não era por acaso. O empreiteiro chegou a ocupar a presidência do conselho de administração da petroquímica. Outros executivos da Odebrecht, já criminosos confessos, também eram conselheiros da empresa, como o diretor de Relações Institucionais Cláudio Melo Filho, que admitiu ter negociado propinas com deputados federais e senadores.
As delações jogam luz também sobre novos personagens na estrutura do propinoduto. De acordo com os relatos colhidos pela Lava Jato, quando as negociações de liberação de dinheiro para campanhas envolviam a Braskem, o aval de Marcelo Odebrecht não bastava. O presidente da petroquímica também tinha que avalizar as transferências.
Um dos executivos integrantes do rol de delatores, Carlos Fadigas, que comandou a empresa entre 2010 e 2016, reconheceu sua participação nos pagamentos. Fadigas ponderou, no entanto, que as operações de mais relevo ficavam concentradas em Marcelo Odebrecht, quando envolvia o governo federal, e Cláudio Melo Filho, quando as tratativas incluíam o Legislativo. Acertada a propina, Fadigas era consultado para bater o martelo.
PROPINA A EUNÍCIO – As informações relacionadas à Braskem na delação da Odebrecht também prometem detonar altas patentes do Legislativo. O ex-presidente Carlos Fadigas confirmou em sua delação que autorizou pagamentos de propina ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), para que ele deixasse de criar empecilhos para a aprovação de uma medida provisória de interesse da petroquímica.
Fadigas contou que pediu a ajuda de Cláudio Melo Filho, o então diretor de relações institucionais da Odebrecht, e que foi avisado da necessidade de pagamentos a Eunício para que a MP 613/2013 fosse aprovada. O caso veio a público na delação de Cláudio Melo, no fim do ano passado. Eunício era conhecido nas planilhas pelo codinome “Índio” e teria recebido cerca de R$ 2 milhões.
Em nota, a assessoria de Eunício afirmou que “desconhece a citação e não comenta supostos vazamentos de trechos parciais de delações premiadas.O senador não fez parte da Comissão que avaliou a MP 613 e não apresentou emendas nem aditivas nem supressivas à MP 613/2013”.
MAIS UM CASO – O próprio Marcelo Odebrecht também participou ativamente das negociações de propina relacionadas às medidas provisórias de interesse da Braskem. Em novembro de 2011, o príncipe-herdeiro acionou novamente Mantega, pedindo sua ajuda na aprovação de um projeto no Congresso que barateava produtos brasileiros.
Mantega teria garantido que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) cuidaria da demanda. Em seguida, o próprio presidente Carlos Fadigas teria ido ao Congresso em companhia de Cláudio Melo Filho para discutir o assunto com os senadores e, posteriormente, autorizou pagamentos a Jucá, que nega peremptoriamente ter recebido propina.
Em um email em poder dos investigadores da Lava Jato, de 30 de novembro de 2011, endereçado a Fadigas e a Melo Filho, Marcelo Odebrecht diz: “Falei com GM (Guido Mantega). Está totalmente engajado em resolver até o final do ano. Disse que já falou com Jucá”. Em email anterior, Odebrecht afirma: “Veja com Jucá se GM está mesmo firma conforme me disse. Ele me disse que orientou RJ a botar para votar esse ano”.
NAS MÃOS DE JANOT – Os mais de 900 depoimentos dos executivos da Odebrecht já estão nas mãos do procurador-geral da República Rodrigo Janot e de seu grupo de trabalho na Lava Jato. Com a homologação da delação pelo Supremo Tribunal Federal, Janot analisa os depoimentos para solicitar um pacote de abertura de inquéritos contra os políticos e demais personagens citados pelos 77 executivos.
Após os pedidos, a Procuradoria-Geral da República deve solicitar o levantamento do sigilo de uma parte do material. Internamente, os procuradores tentam correr para finalizar essa etapa do trabalho até o fim deste mês. Em seguida, serão deflagradas efetivamente as investigações em cima das delações explosivas da Odebrecht, a chamada delação do fim do mundo. Resta saber se irá sobrar pedra sobre pedra no meio político.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Mais uma matéria espetacular de Aguirre Talento, que faz jus ao sobrenome. Arranca a máscara de Guido Mantega e Dilma Rousseff, além de exibir quem realmente é Eunício Oliveira, a nova versão de Renan Calheiros no Senado. (C.N.)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O caráter de Roberto Kalil


Carta de um médico desconhecido revela o caráter de Roberto Kalil

O senhor não me conhece, trabalho nos confins do Brasil, não sou conhecido por ninguém e passei (e passo) toda minha vida atendendo gente pobre. Para desespero da Organização Criminosa, não sou petista.
O senhor, por outro lado, é um dos médicos mais famosos do Brasil: tem dinheiro, está cheio de pacientes, casou-se com uma colega e fez a festa no restaurante mais caro de São Paulo. Atende a nata da classe mais corrupta do nosso País – os políticos.
Escrevo para perguntar o seguinte: 
- Por que? Qual o motivo para o senhor vir a público ajudar a destruir a vida de mais uma colega? Uma médica que, com 31 anos de idade, estava começando na vida profissional.
O senhor sabe que os médicos trabalham sem segurança, sem equipamentos, sem meios de diagnóstico...Trabalham humilhados por profissionais que (para desgosto das verdadeiras enfermeiras do Brasil) se dizem ‘enfermeiras’ e nada mais são do que militantes petistas fanáticas.
Os médicos tem seus salários atrasados, apanham dos pacientes, foram apresentados à população brasileira como bandidos por Dilma Rousseff...
O senhor sabe que a tomografia de Marisa Letícia já estava na internet, sabe que ela foi feita em São Bernardo do Campo; não no Sírio Libanês...O senhor sabe que Marisa chegou praticamente morta no ‘seu’ hospital…
Por que, pergunto eu, o senhor veio a público dar razão para gente do nível moral de Cláudia Collucci? Uma recalcada...uma infeliz da Folha de São Paulo que, fazendo o serviço sujo do PT, vinga-se do fato de jamais ter conseguido ser médica...
Por que o senhor ajudou a destruir a vida de Gabriela Munhoz, doutor? É mais fama que o senhor precisa? O senhor já não é famoso o suficiente?
Pergunto o seguinte: mesmo tendo poder de demitir a colega sem precisar dar explicações a ninguém, o senhor não podia esperar? Não podia manter Gabriela nos quadros do Hospital e responder: ‘vamos aguardar o que diz o CREMESP?’
O senhor acredita que os demais médicos do Brasil pensam que o senhor fez o que fez em defesa da ‘ética e do Juramento de Hipócrates ?’
O senhor, a UNIMED São Roque, foram cobrados por uma Organização Criminosa disfarçada de Partido Político e resolveram, para ficar bem com ela, entregar a imagem de mais dois colegas (Gabriela e Richam) aos patifes, a estes verdadeiros vermes petistas da Imprensa do Brasil !
O senhor sabe que o whatsapp de Gabriela foi invadido por gente do PT, o senhor sabe que foi a privacidade das comunicações DELA, não de Marisa Letícia, que foi violada…
O que move o senhor a fazer esse tipo de coisa, Dr. Kalil? Dinheiro e fama o senhor já tem! 
O senhor já parou para pensar na imagem que passa a ter agora entre os seus colegas? A imagem entre os verdadeiros médicos brasileiros?
A imprensa brasileira apresentou Gabriela como médica que colocou na internet (é diferente de compartilhar) os exames de Marisa Letícia. O senhor sabe que as imagens partiram do jornalista Cláudio Tognolli: por que o senhor apresentou Gabriela como a fonte primária de tudo? O senhor tem a prova?
O senhor sabe que Gabriela NÃO foi médica de Marisa Letícia, que não lhe prestou atendimento...Por que está dizendo que houve “quebra de sigilo”?
E os demais médicos do Brasil, Dr.Kalil, seus colegas que também compartilharam a tomografia? Eles também devem ser processados e punidos como o senhor quer? Eu mereço ser punido por ter a ‘audácia’ de lhe escrever esta carta, Dr.Kalil?
A imagem profissional da Gabriela está destruída...O senhor saiu como ‘herói’... (por enquanto)
Mas o mundo gira, Dr. Kalil, nada como um dia depois do outro…
Um médico desconhecido

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Piada do Ano: Juiz declara Padilha inocente da acusação de improbidade


Piada do Ano: Juiz declara Padilha inocente da acusação de improbidade



Suposta “consultoria” de Padilha rendeu R$ 7 milhões
Deu na Folha
A Justiça Federal no Rio Grande do Sul julgou improcedente uma ação de improbidade administrativa ajuizada contra o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil). Padilha havia sido acusado pelo Ministério Público Federal de favorecer a universidade privada Ulbra, quando era deputado federal pelo PMDB, na década passada.
Empresas do atual ministro receberam da universidade na década passada R$ 3,9 milhões (R$ 7 milhões em valores corrigidos) em contratos de consultoria. Uma auditoria na Ulbra não encontrou comprovação de prestação de serviços.
A Procuradoria, ao propor a ação, considerou que os contratos entre um congressista e uma entidade concessionária de um serviço público atentava contra os princípios da administração pública.
FALTARAM PROVAS? – O juiz Felipe Veit Leal, da 2ª Vara Federal do município de Canoas, considerou que, para caracterizar vantagem indevida, deveria ser provado que o então deputado atuou em favor de interesses da Ulbra, o que não aconteceu. A sentença foi expedida nesta sexta-feira.
“Ausente o nexo de casualidade entre a vantagem patrimonial e a condição de agente público, não há prova do ‘comércio’ do mandato”, sustentou o juiz.
Ele também considerou que não há provas de que Padilha tenha indicado pessoas para o recebimento de bolsas da universidade, como era dito pela acusação.
TODOS INOCENTES – Padilha prestou depoimento à Justiça em 2016 e sempre negou irregularidades. Outras duas pessoas –o ex-reitor Ruben Becker e o antigo sócio de Padilha Luiz Alberto da Rosa– também eram réus. Contra os dois, a ação também foi considerada improcedente.
Ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal, a segunda instância da Justiça Federal.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Quer dizer que um deputado federal é sócio de uma “consultoria” (tipo Dirceu, Pimentel, Delúbio, Erenice e Palocci), que recebeu o equivalente a R$ 7 milhões de uma universidade particular sem prestar serviços, e isso não caracteriza improbidade? O juiz alegou que, para caracterizar, precisaria ser provado que o réu favoreceu a universidade, mas acontece que o próprio Padilha confessou ter pedido ao Conselho Nacional de Assistência Social que fosse colocado na pauta um processo que poderia beneficiar a Ulbra, e o juiz compreendeu que Padilha agiu em defesa dos interesses do Estado, de modo voluntário. O pior é que, na época da “consultoria”, a universidade tentava reaver um certificado de filantropia que lhe garantiria isenção de impostos. Como se vê, a sentença do Meritíssimo só pode ser Piada do Ano. (C.N.)