Itália adverte Brasil de que caso Battisti chegará neste mês a Haia
O País tem até o dia 15 para criar uma comissão de conciliação para tratar do caso.
Redação - Jornal Vale dos Sinos
Foto: Efe
Battisti foi capturado no Rio de Janeiro em 2007.
Itália
- O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, advertiu nesta quinta-feira que o caso do ex-ativista de extrema esquerda italiano Cesare Battisti, que o Brasil se nega a extraditar, chegará no fim do mês à Corte Internacional de Justiça de Haia se nenhum acordo for alcançado."No fim deste mês, o Tribunal de Justiça Internacional vai tratar do caso Battisti", assinalou Frattini ao ressaltar que em 15 de setembro vence o prazo para constituir uma comissão de conciliação entre ambos os países. Segundo Frattini, se o Brasil não nomear antes seu representante, a Itália pedirá ao Tribunal de Haia que intervenha.Frattini explicou que pediu ao ministro das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, que ambos se reúnam em Nova York entre os dias 22 e 23 de setembro.
Em junho, o Governo italiano ordenou a sua embaixada no Brasil que solicitasse às autoridades brasileiras a ativação da Comissão Permanente de Conciliação prevista na Convenção de 1954 entre os dois países, mas ainda não recebeu resposta.
O caso Battisti voltou na quarta-feira a ser notícia depois que, em entrevista à agência italiana Ansa, o ex-membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo pedisse perdão pelas vítimas do terrorismo e condenasse a luta armada.
Cesare Battisti foi condenado à revelia em 1993 à prisão perpétua por um tribunal italiano pelos assassinatos de dois policiais, um joalheiro e um açougueiro entre 1977 e 1979.
Battisti, quem sempre declarou inocência, estava então na França, onde permaneceu como refugiado político até 2004, ano em que fugiu para o Brasil quando o Governo de Paris estava prestes a revogar essa condição e entregá-lo à Itália.
O ex-ativista foi capturado em março de 2007 no Rio de Janeiro, onde viveu escondido por três anos, durante uma operação conjunta de agentes do Brasil, Itália e França, após o que as autoridades italianas pediram sua extradição.
Battisti está em liberdade há três meses, desde que deixou a prisão por ordem do Supremo Tribunal Federal, que em 31 de dezembro ratificou a negativa de extradição à Itália decidida pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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